Já duram cinco dias as buscas aos homens que assaltaram na quarta-feira o Posto Avançado do Banrisul e mataram duas pessoas em Gramado dos Loureiros. Mais de 200 homens das políciais civil e militar estão mobilizados e fazem barreiras na tentativa de prender os bandidos.
O crime que abalou a comunidade, tirando a vida do servidor público Valdecir Alves Batista e do assessor do Palácio Piratini Alivino de Melo Machado, ainda faz eco entre os moradores. Com os bandidos foragidos, é a população que se sente presa, sitiada em suas casas.
O topógrafo Mário Roberto Pereira, 49 anos, só saiu de casa na manhã de sãbado quando viu uma viatura da Brigada Militar realizando a revista em um carro. Há três meses morando na cidade, ele foi surpreendido com a situação que jamais imaginou ocorrer num município pequeno.
— Entrei em casa às 18h ontem, e tranquei tudo. nem atendemos mais a porta —contou.
Quem mora no interior da cidade, sofre duplamente. As propriedades são margeadas pela mata nativa que faz parte da Reserva Indígena de Nonoai, e parte do Parque Florestal, cortado por riachos. Local inóspito, como a Linha Loureiro, onde mora sozinha a aposentada Jovelina Hochmann, 55 anos. Ela foi à cidade na sexta-feira render seu luto ao ex-prefeito e depois do velório não conseguiu mais voltar para casa.
— Estou apavorada, ninguém quer me levar com medo dos bandidos. Esta noite dormi numa amiga da cidade, mas agora tenho que voltar e não sei como — reclamou.
Jovelina pediu ajuda aos policiais militares, procurou táxi, mas ficou sem solução. O sentimento de qu a qualquer momento alguém será abordado por um dos assaltantes e o temor de ser feito refém está no rosto dos moradores. Celso Milezi, 44 anos, viveu de perto a situação. Por volta das 7h, ele levava o leite para o resfriador quando foi abordado por um dos assaltantes, que lhe apontou um revólver na barriga.
— Ele pediu leite, me ofereceu mil reais para que eu escondesse ele e prometeu R$5mil se eu levasse ele embora da cidade. Me ameaçou, e por fim me mandou seguir sem olhar para trás e disse que ia me esperar na minha casa, com minha família. Nunca senti tanto medo, foi um alivio saber que ele tinha ido embora — desabafa.
Aterrorizado, Milezi deixou a casa e está indo dormir na casa da mãe, onde toda a família se reuniu, até que os bandidos sejam presos e o cerco termine.
Familiares de Alivino Machado se reuniram na Câmara de Vereadores na manhã de ontem, à espera de notícias sobre as investigações. Até o meio dia, ninguém havia sido preso. Mas o sentimento do irmão João de Mello Machado, 74 anos, reflete a esperança dos moradores.
— Queremos justiça, que estes bandidos que tiraram nosso sossego sejam presos e paguem por este crime bárbaro.
Fonte: ZeroHora.com